CAMILE SPROESSER

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As pinturas de Camile Sproesser / Camile Sproesser paintings

January 5, 2018

Falar sobre as pinturas de Camile Sproesser é tarefa no mínimo complicada. E ser complicado, provocador, dilacerante e definitivamente alegre, são características e qualidades de seu trabalho.

 

Por partes. Como foi dito, são pinturas. Assim, se instauram no universo do que há de mais tradicional na arte. Mas, ao mesmo tempo, parecem não ter nenhum compromisso com nada de tradicional. Tem uma vocação transgressora. E ainda assim se reafirmam como pintura.

 

Do que se trata então a experiência proposta por essas pinturas? Provavelmente do que se mostra como sua virtude: elas escorregam, deslizam, não se deixam apreender, são ensaboadas. Quem espera ver definição de conteúdo, conceito ou gosto na experiência diante dos trabalhos, vai logo se perceber num emaranhado de incertezas.

 

Porque são belas pinturas. Camile conhece o meio e suas escolhas. Com certeza ela pinta bem, e isso é muito importante, em se tratando de pintura. Ninguém gosta de ver pintura mal pintada, e elas existem. Aqui é um prazer perceber toda a desenvoltura de Camile com a tinta. E de como instaura um constante estado de dúvidas e conflitos justamente por suas qualidades pictóricas. Estado de instabilidade e impermanência. Que transgride formalmente, e abala com sutil violência, não só o que resta de tradicional na pintura, como também naquilo que sorrateiramente narra. A armadilha da artista está armada.

 

São pinturas. São. Que tem palavras. Texto. Escritura. Tem signos reconhecíveis. Uma insinuação narrativa. Camile opera na linguagem. Da pintura. Na linguagem subjacente à pintura. Mas que outra vez não permite qualquer afirmação.

 

Como no caso das palavras. Que deixam de ser só palavras e se tornam pintura. Palavras pintadas.  Que já não preservam seu significado e sentido, ou os perdem quando se percebe que a palavra é só pintura. Alguma coisa acontece e promove um certo embaralhamento, desperta estranhamento, interrogação e dúvida. Deixa em aberto, sempre, uma encruzilhada. Uma atrás da outra. Instaura um jogo de vai e vem. Onde não há nenhuma garantia. E isso ocorre tanto com as palavras como com qualquer outro signo aplicado pela artista em suas pinturas. Dos desenhados às cores.

 

Além de toda infantilidade de suas pinceladas nada infantis. De todo seu humor (ou seriedade). Além de todo prazer que se percebe que Camile tem no seu trabalho. A maior potência dessas pinturas está no grau elevado de contradição que elas instauram. Nenhuma proposição dada se mantém por muito tempo. Não sendo nem retratos nem paisagens, só lhes restam ser pinturas. No que elas, pinturas de todos os tempos, puderam ousar ter de melhor.

 

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Talking about paintings by Camile Sproesser is a tricky task. And being complicated, provocative, tearful and definitely cheerful, are characteristics and qualities of her work.

As it has been said, they are paintings. Thus, they are established in the universe of what is most traditional in art. But at the same time, by default, it has no compromise with anything traditional. It has a transgressing vocation. And yet they reaffirm themselves as painting.

What, then, is the experience proposed by these paintings? It is probably like showing their virtue: they slip, slide, do not let themselves be seized, they are soapy. Anyone who expects to see the definition of content, concept or taste in the experience before the works, will soon be perceived in a tangle of uncertainties.

Because they are beautiful paintings. Camile knows the medium and its choices. Surely she paints well, and this is very important when it comes to painting. No one likes to see bad paintings, and they exist. Here it is a pleasure to perceive Camile's resourcefulness with ink. And how it establishes a constant state of doubts and conflicts precisely because of its pictorial qualities. State of instability and impermanence. It violates formally, and shakes with subtle violence, not only as it remains traditional in painting, but also in what slyly tells. The trap of the artist is armed.

They are paintings. That has words. Text. Writing. It has recognizable signs. A narrative insinuation. Camile operates in language. From the painting. In the language underlying painting. But that again does not allow any assertion.As in the case of words. That cease to be words and become painting. Painted words. They no longer preserve their meaning or lose them when one realizes that the word is only painting. Something happens and perceives a certain scrambling, awakens strangeness, questioning and doubt. One after the other. A game of back and forth. Where there is no guarantee.

 

And this occurs as much as words as with any other sign applied by the artist in her paintings. In addition to all the childishness of her brushstrokes nothing childish. Of all your humor (or seriousness). Besides all the pleasure and that, see what Camile has in her work. The greatest power of its paintings are in the high degree of contradiction they set. No given proposition holds for long. Since they are neither portraits nor landscapes, they only have to be paintings. In what they, paintings of all time, could dare to have better.

 

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